Vivemos cada vez mais solitários e espalhados. Ou: por que todo mundo gosta de NY?

Copacabana, no Rio de Janeiro: taxa de concentração de pessoas equiparável a Paris e Nova York

Copacabana, no Rio de Janeiro: taxa de concentração de pessoas equiparável a Paris e Nova York

Por que todo mundo gosta de Nova York? As respostas costumam dividir-se entre “Tem de tudo”, “Chega-se facilmente em qualquer lugar” e “Dá pra fazer tudo a pé”. Não é por acaso que os lugares mais interessantes, agradáveis e fáceis de se viver são os que concentram muitos habitantes. Quanto mais concentrada é a população, menor a necessidade de deslocamentos de seus moradores. Distâncias curtas requerem menos tempo no trânsito, além de poderem ser atravessadas a pé ou de bicicleta. Calçadas repletas de gente favorecem o comércio e a segurança. No fundo, trata-se da mesma coisa: alta densidade. É o que faz Nova York, Paris ou Copacabana serem tão vivas. Veja abaixo:


Densidades metropolitanas

São Paulo – 7.216 pessoas por quilômetro quadrado
Copacabana (RJ) – 20.400 pessoas por quilômetros quadrado
Paris – 25.417 pessoas por quilômetros quadrado
Manhattan (NY) – 27.394 pessoas por quilômetros quadrado

 

Ao longo das décadas, porém, há cada vez menos pessoas morando próximas umas das outras. Em um comparativo entre 1900 e agora, dá para ter uma boa ideia do problema*


Em 1900, cada hectare de área urbana continha:

2 000 pessoas, com média de 4 moradores por domicílio
475 moradias, em que cada residente dispunha em média de 10 metros quadrados

Em 2000, cada hectare de área urbana continha:
280 pessoas, com média de 1,8 morador por domicílio
155 moradias, em que cada residente dispunha em média de 60 metros quadrados.

 

Esse contexto se converte em maior gasto com transporte e infraestrutura por parte dos governantes e piora da qualidade de vida dos cidadãos, reféns do trânsito e da precaridade das áreas mais periféricas. O fato é que vivemos cada vez mais solitários e espalhados. E nossas cidades são o reflexo disso.


*dados publicados em “Cidades Para Pessoas”, de Jan Gehl

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